19.10.08
Sobre o nada.
É engraçado que o momento de chegar aqui, e daí olhar pras teclas p/ escrever, e ser coerente e obedecer a boa velha gramática. É prejudicial. Prejudicial porque já não consigo explicar o que me motivou dessa vez a cansativa maratona - que para mim a cada vez é mais arrastada e penosa - de enfim dar alguma satisfação sobre os dias que dissipam a boa vontade e as intenções. Pois bem que nesses dias verdadeiramente raros em casa - não sei por que alma bondosa ou vagabunda decretou recesso de uma semana, por conta do dia do professor - não conseguir pôr em prática o meu plano de ler dois livros de mais de 500 páginas cada um para que finalmente eu entenda algo sobre Processo Penal depois de 4 anos de estudo, bem como a Lei da Procuradoria com mais de cem artigos, ainda acordar cedo e bater perna no centro com sol a pino sem protetor solar - de manhã eu sou anencéfala -, daí correr para o estágio para não chegar atrasada, só pra dizer aos pobres jurisdicionados "desculpe, estamos em greve", fazer palavras cruzadas do jornal com os grevistas e discutir sobre o cárcere privado das meninas em São Paulo. Ok, glamour, go to hell. Eu preciso mesmo de montanhas de tarefas para sentir algum tipo de existência, algum tipo de utilidade. Ou mesmo para fugir de sentimentos emos, regados a filosofia barata de horas improdutivas.
14.9.08
Que belo estranho dia pra se ter alegria

Meu pai me deu de presente e eu adorei muito muito muito mas não dei bandeira, agradeci e ouvi. E achei estranho. E achei belo. E procurei explicação p/ aquelas escolhas, já que senti o objetivo do disco muito diferente do "Braseiro", embora ambos tenham a mesma essência, a mesma voz sem artifícios cantando sambas antigos e densos. E não encontrei respostas. Às vezes as coisas não precisam ter fundamentações, muitas vezes são propostas espontâneas, de momento. Algumas músicas eu passei sem escutar. Outras eu repito seguidamente. "Samba de amor e ódio" é uma delas. Porque eu sempre achei isso tudo que ela fala, mas não houve momento pra falar. Então não calo mais: digo cantando, pela razão dos outros. E brinco de a mais nova descoberta que ninguém sabe [porque isso sempre me alegrou].
7.9.08
E era como se jogassem Space Invaders
Fim de tarde. Ambiente Interno - Casa.
"As time goes by" no som.
Não, eu não quero que o tempo passe.
Eu procurava dizer isso de uma maneira que não transmitisse uma impressão ruim, e com uma ligeira imparcialidade de situações que servissem de exemplo para a minha teoria. A verdade é que há muito tenho dosado as palavras, num esforço danado para moldá-las em planos retos ou não ambíguos. Mas a carteirinha que tirei há 22 anos do Clube dos Negativos bate ponto toda semana. Nem tudo são dramas, às vezes quase nada é, é tudo calma e alheamento. E o que deveria ser combustão, vazamento e arrependimento acaba, por causa do Tempo, sendo apenas inconsequencia, ou um leve aborrecimento. Chato pra caramba, porque eu percebo o quanto estou ficando velha, a maturidade chegando e a gente levando a vida pra levar, não se expondo pra continuar não-sendo, arranjando compromissos para não tê-los, exergando muito mais nítido as situações mesmo com a vista ficando cada vez mais fraca, tendo que usar protetor solar. Comprimido polivitamínico. Apostila pra entender o texto. Vitamina C. Garrafa de água. Bloco de anotações.
"Cry me a River", Ella.
"As time goes by" no som.
Não, eu não quero que o tempo passe.
Eu procurava dizer isso de uma maneira que não transmitisse uma impressão ruim, e com uma ligeira imparcialidade de situações que servissem de exemplo para a minha teoria. A verdade é que há muito tenho dosado as palavras, num esforço danado para moldá-las em planos retos ou não ambíguos. Mas a carteirinha que tirei há 22 anos do Clube dos Negativos bate ponto toda semana. Nem tudo são dramas, às vezes quase nada é, é tudo calma e alheamento. E o que deveria ser combustão, vazamento e arrependimento acaba, por causa do Tempo, sendo apenas inconsequencia, ou um leve aborrecimento. Chato pra caramba, porque eu percebo o quanto estou ficando velha, a maturidade chegando e a gente levando a vida pra levar, não se expondo pra continuar não-sendo, arranjando compromissos para não tê-los, exergando muito mais nítido as situações mesmo com a vista ficando cada vez mais fraca, tendo que usar protetor solar. Comprimido polivitamínico. Apostila pra entender o texto. Vitamina C. Garrafa de água. Bloco de anotações.
"Cry me a River", Ella.
31.8.08
Hakuna Matata
Vontade de dizer alguma coisa legal. Talvez isso: outro dia eu precisava precisava ir a aula de psicologia para pegar a matéria da semana anterior, porque tinha faltado. Aí eu vi o laborátório vazio e resolvi entrar, só pra ver minha caixa de e-mail. Só que o fdp do yahoo demorava pra abrir, e eu cancelava e voltava, cancelava e voltava. Daí que virou uma questão de honra conseguir tal feito, que passou a hora e eu ali, numa luta sanguinária contra o mouse. Acabei não indo à aula, novamente.
Não, isso não é legal, porque eu vou me ferrar bunithinha.
Então outra: Eu vou ao show da Madonna. Pista, lá pertinho. Vou gastar um puta de um dinheiro, ativei cartão de crédito e o caramba só pra isso, também não é supimpa aos tubos.
Outra: Eu acordei cedo, me arrumei, liguei para uma amiga e ela disse que não poderia ir, daí eu fui assim mesmo, sozinha, atravessei o túnel LIIIIINDO do Joá, me lembrei do meu tempo de vôlei, andei à beça e fiquei até às cinco sem comer nada, só balinha, só andando. Peguei um mooonte de caneta e papel, algumas promessas, outros "vamos estar retornando", menti um pouquinho - o meu inglês não é nada intermediário - me arrependi de não ter levado a máquina - o gordo do comercial do "quem ama bloqueia" estava lá, com algemas -, e ganhei uma bolinha amarela para ficar apertando.
Eu fui cheia de esperanças, e até agora ninguém está me retornando. Daí que meu estágio acaba e eu vou pra pindaíba de novo. E o meu trabalho tá atrasado desde esse dia que não fui ao Fórum.
Mais uma tentativa: um amigo salvador da pátria em pleno ônibus me tirou da maior roubada com um pilantra que estava me ameaçando ao meu lado, um covarde que achou a primeira mulher sozinha em um banco e foi certeiro me azucrinar. Se ferrou porque o meu amigo entrou logo depois, sacou a situação e fez voz grossa me tirando de lá. Também não foi nada agradável, porque me senti muito indefesa como não gostaria.
Tá foda.
Não, isso não é legal, porque eu vou me ferrar bunithinha.
Então outra: Eu vou ao show da Madonna. Pista, lá pertinho. Vou gastar um puta de um dinheiro, ativei cartão de crédito e o caramba só pra isso, também não é supimpa aos tubos.
Outra: Eu acordei cedo, me arrumei, liguei para uma amiga e ela disse que não poderia ir, daí eu fui assim mesmo, sozinha, atravessei o túnel LIIIIINDO do Joá, me lembrei do meu tempo de vôlei, andei à beça e fiquei até às cinco sem comer nada, só balinha, só andando. Peguei um mooonte de caneta e papel, algumas promessas, outros "vamos estar retornando", menti um pouquinho - o meu inglês não é nada intermediário - me arrependi de não ter levado a máquina - o gordo do comercial do "quem ama bloqueia" estava lá, com algemas -, e ganhei uma bolinha amarela para ficar apertando.
Eu fui cheia de esperanças, e até agora ninguém está me retornando. Daí que meu estágio acaba e eu vou pra pindaíba de novo. E o meu trabalho tá atrasado desde esse dia que não fui ao Fórum.
Mais uma tentativa: um amigo salvador da pátria em pleno ônibus me tirou da maior roubada com um pilantra que estava me ameaçando ao meu lado, um covarde que achou a primeira mulher sozinha em um banco e foi certeiro me azucrinar. Se ferrou porque o meu amigo entrou logo depois, sacou a situação e fez voz grossa me tirando de lá. Também não foi nada agradável, porque me senti muito indefesa como não gostaria.
Tá foda.
29.8.08
Propaganda eleitoral
E eu prometo, juro, de pés juntos, que vou escrever tudo aquilo que vaza pelos sentidos nesses dias de calor e frio, agradáveis ou irreflexíveis, de sol e noite, de trânsito e lugares longes, habitáveis ou não, transitórios ou fixos.
Medicina Legal
Então o que era nojento e insuportável acaba sendo no mínimo curioso. A pressão baixa dos primeiros dias foi se dispersando nos movimentos rápidos da mão na caneta, anotando tudo, desenhando se possível. Logo uma ferida não era uma simples ferida, não senhor, era uma ação contundente de bordas irregulares, com traves de tecido entre vertentes, com cura por epitalização, ora pois. Um galo na cabeça? um hematoma provocado por um vaso arterial que se rompe em local bastante vascularizado. Nunca um esfolado será igual depois disso.
Era pra ser
... o que deveria ser. Acabo achando que entrei no mundo costumeiro e rasteiro de comportamento padrão humano, aquele em que coisas maiores e forças poderosas sobrenaturais ou sei lá mais o quê emaranham-se e embaralham-se às coisas produzidas e orientadas para serem os dias. Isso era para ser assim, aquilo para assado. É a melhor das filosofias que se pode ter, a mais fácil também. Porque se tira um peso gigantesco das costas para os atos falhos, os atos contrários, os atos externos. E eu acho que eu quero isso pra mim. Já que as coisas elevam-se tanto e tão rápido, e alto, e independente que acabo acreditando em vida própria, algo já escrito numa biografia ainda não realizada, a ser publicada em breve. É como se fossem ciclos - que não necessariamente vão voltar para uma contradança. E essa história de "bom, o importante é que fez com que eu chegasse até aqui" é um tanto quanto vazia, pois se ocorresse de outro modo também teria sido bom. E o importante é que fez eu chegar até aqui. Não que seja uma atitude positiva, é também uma válvula de escape às responsabilidades herdadas com a necessidade de se ganhar a vida, o lado Polianna moça no fantástico mundo de Bobby não é pra mim. Acontece que pessoas e fatos transitam muito e a todo o tempo sem respostas, só perguntas. E quando vou perceber, já é sexta, já são 21h, já é setembro dentro da gente, acabou. E aquilo que eu ia fazer, e aquele lugar que eu iria, e aquela pessoa pra ligar, aquele ofício pra guardar, aquele exercício pra fazer? perdeu, amizade. Então é esperar que, um dia, tudo entre nos eixos - como se existisse algum - para poder sentar e escolher o livro que se quer ler, o lugar em que se quer estar, o banho que se quer tomar.
3.8.08
Eu queria...
Eu queria tanta coisa. Mas eu sinto que ainda não é o momento de tudo. Só me falta esperar. Ou melhor, só me falta estudar [o que está latente]
De se dar conta de algo
Foi preciso um professor de um ano atrás [mas que pra mim foi ontem] me perguntar, em pleno elevador, em que período eu estava para eu me dar conta de que muito já se passou. "Ah, você já cruzou o cabo da boa esperança", disse ele.
Mesmo que isso signifique que faltam 2 anos para me formar.
[quem mandou fazer Direito? agora aguenta.]
Mesmo que isso signifique que faltam 2 anos para me formar.
[quem mandou fazer Direito? agora aguenta.]
Medicina Legal
Sezisnando é um fofo, mas, infelizmente, não há nenhuma graça em ver corpos esmagados ou mutilados ou retalhados ou fuzilados ou queimados ou. Por isso, trabalhar no IML não é nada legal, cara. Não adianta, quanto mais ele fala bem do próprio emprego mais eu sinto nojo. Professor, na boa, observar a fauna e a flora que nasce de um corpo putrefado é coisa de pervertido, com todo o respeito.
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