24.1.09

Incongruência

Achei interessante quando abri, depois de um longo tempo, e encontrei esse título um tanto quanto sugestivo em relação ao que eu não sei dizer, ao que eu não sei o que me dá. É um sensação muito antiga, vem de quando eu nem pensava em mundo de gente grande, e pra falar a verdade não sei se sai de lá. Medo de escuridão: não um quarto vazio, respiração controlada. Medo de dentro, luzes apagadas onde não se vê. Como ali estava não sei; não lembro do que me levou a escrever a palavra, mas desconfio que deva ser desvios de um mesmo mote. O imutável e ao mesmo tempo inconstante. Medo de que não faça sentido nenhum. Então os dias são lutas diárias por novos dias, que passarão como esse e como os outros, em busca dos novos. E tudo me pesa, como se o que eu vivesse não fosse durar, como se nada fosse o bastante (nem o tudo seria). É um enforcamento na goela, uma sobrancelha cerrada, o pé atrás na dança. parado. O que será das angústias individuais quando todo mundo reparar que todo mundo tem? Qual será a desculpa dos hipocondríacos?

7.12.08

Medicina Legal

Do caderno que eu tirei xerox, pois faltei à aula:

Afogamento: asfixia qualitativa que se realiza pela permanência do indivíduo no meio líquido. O líquido penetra pelas vias aéreas provocando o afogamento.

- Muito comum nos domingos de verão.


?

Por increça que parível, eu me divirto com essa matéria.

Da política de diplomacia

Quanta besteira você é capaz de falar em 4 horas? Eu sou capaz de várias.
Chamei o assitente do desembargador - meu chefe! - de velho; dei informação totalmente inverídica ao advogado na frente da chefe de gabinete - minha chefe! - que prontamente me desmentiu; disse ao funcionário-revendedor que aqueles perfumes genéricos não lembravam em nada os originais; perguntei a mesma coisa um trilhão de vezes a mesma pessoa porque realmente não estava prestando atenção; disse que era besteira deixar a porta fechada, ninguém naquela sala se lembra de fazer isso, porque eu é que deveria ficar vigiando? chamei o conselho acadêmico da faculdade do estagiário-engajado de "grêmio estudantil". Acho que me superei, sabe? Nem eu tô me aguentando. Será as provas? Pode ser...

Das crises imaginárias

O meu anel de rosa sumiu. Não sei se o perdi, ou se ele caiu em algum canto da casa, ou se alguém pegou. E essa imprecisão do local me deixa um tanto mais inquieta do que se eu tivesse a serena convicção de que eu nunca mais vou voltar a encontrá-lo, de que ele não será meu novamente. E uma estranha impressão de que eu não cuido das coisas que me são dadas (sim, ele foi um presente) me aflige de tal modo que me dispara um revival de situações anteriormente contabilizadas na margem de erros crassos e porcamente transpassados. Um mea culpa sem fundo.
Paro. Não devo me ferir assim. Não há razão. É só um anel. Ficam-se os dedos.
O meu anel de rosa não é o mais bonito de todos que eu tenho, não foi o único que ganhei, não é o único anel de rosa da face da terra. "O Tejo não é mais bonito que o rio da minha aldeia porque o Tejo não é o rio da minha aldeia". Ora Pessoa, vai se foder.
Então qualquer motivo é razão para a metafísica existencial? O fato de eu não ser organizada e espalhar minhas bijuterias por tudo quanto é canto pode ser reflexo de um espírito atormentado, desregulado com os objetivos morais da sociedade? Esse discurso retórico-afetado realmente vai me convencer a esquecer que perdi meu anel que resultou num prejuízo pessoal, de fundo puramente afetivo? Por que uma pessoa valoriza tanto algo material que para o restante não é, será transferência de sentimento? Ou apenas um estopim do que já vinha se desenhando? Eu racionalizo muito? Devo procurar um psicólogo? Porque na minha cabeça eu não calo a minha boca?
Tem tanta gente morrendo de fome e sem perspectiva de vida e eu aqui aflita com um ornamento metálico e sem nenhuma importância.
Pela minha medicina auto-satisfatória eu estou carente. E por isso patética.

29.10.08

Nesse sentido...

Eu cheguei à máxima de que a vida é um silêncio tumultuado.

em uma nova janela

_Você já não é mais a mesma.

[pausa]

_ Eu sou o que fizeram de mim.




Possível diálogo de um futuro roteiro.

Nova estagiária do TRF

Tribunal Regional Federal da 2 ª Região. Gabinete de De[u]sembargador. Como se eu me importasse com isso. Eu só preciso do dinheiro, tudo o que eu tinha pra aprender eu já o fiz.
A única coisa que me preocupo nesse momento é com que roupa eu vou pro gabinete que você me convidou.
Pelo menos o desembargador tem que ser gatinho.
Se eu parar numa Câmara Criminal eu acho que me mato. Se for de Execução Fiscal eu mato um, e por aí em diante.
Aff, eu não quero nem pensar nisso. Por que eu fiz aquela prova? E por que eu passei?
Adeus, Tribunal de Justiça do RJ, sentirei saudades [fodásticas]. Principalmente das greves - que não tem na Federal. E das festinhas. E dos amigos. E dos risos absurdamente altos que paravam as audiências. E daquele bando de mulheres na TPM falando pelos cotovelos. E dos incríveis passeios pelo Projac [!]. E da Defensoria, com seus boyzinhos enchendo a paciência e sendo maravilhosamente submissos [girl power!]. E dos babados de família. E dos fondues. E do vinho escondido [rs]. E da consultoria sentimental [que eu mais dava do que recebia]. E Sani me fazendo passar mal de tanto rir [serei sempre a "filé de borboleta"]. E do secretário da Juíza mais gente boa que já existiu. E do assédio dos oficiais de justiça [que era desagradável, mas que agora é engraçado]. E a minha querida e amiga chefinha. E da guru Gizelda[so]. E dos papos extremamente indecentes de sexta a tarde. E da minha vida, nesses últimos 2 anos.

19.10.08

Eu confesso

Eu amo a Amy e não a considero maluca. É apenas um espírito perturbado. Não é como a Britney-puta, ela é fina e não bagaceira. Ela me passa a impressão de uma pessoa sensível e muito frágil, e muito vulnerável à exposição e tudo mais. Acho que a fama, como as drogas, não faz nada bem a ela. Eu espero sinceramente que ela tenha salvação.




















E "Love is a losing game" é o maior corta-pulso da história.

A verdade é que...

é estranho voltar para casa de tarde, a luz do sol é outra, o que dá um tom diferente aos objetos e à rua antes de abrir a porta. Cada local que estou no dia tem a sua cor de costume. Se estou no Fórum, as coisa são claras; já na faculdade, a luz é artificial, daquelas lampâdas longas, fosforescentes. Mais tarde ainda, em casa, é quase tudo um breu, para não acordar as pessoas. Pois outro dia, por conta dessa mudança passageira de rotina, refleti que certas pessoas, que pertencem a determinados círculos da minha vida, nunca me viram em outra situação àquela de costume, ou seja, nunca me viram em outro tipo de iluminação, o que pode ser assustadoramente revelador, à medida que certos caracteres são mais bem notados nessa ou em outra circunstância. Pensando nisso me lembrei de uma antiga amiga, que coincidentemente reencontrei essa semana, há muito tempo atrás, de manhãzinha - ocasião dos meus dias do qual ela não pertence - se espantou com o fato de nunca ter reparado que eu tenho sardas - coisa ululante na minha cara. Achei engraçado esse fato, porque questionei qual a visão que certas pessoas tem de mim e como isso reflete na postura de cada um. A bem da verdade eu sempre pensei nisso, mas com relação ao vínculo social e afetivo que me liga a elas. Agora com relação à luz - sim, a luz, quais segredos guarda?

Sobre o nada.

É engraçado que o momento de chegar aqui, e daí olhar pras teclas p/ escrever, e ser coerente e obedecer a boa velha gramática. É prejudicial. Prejudicial porque já não consigo explicar o que me motivou dessa vez a cansativa maratona - que para mim a cada vez é mais arrastada e penosa - de enfim dar alguma satisfação sobre os dias que dissipam a boa vontade e as intenções. Pois bem que nesses dias verdadeiramente raros em casa - não sei por que alma bondosa ou vagabunda decretou recesso de uma semana, por conta do dia do professor - não conseguir pôr em prática o meu plano de ler dois livros de mais de 500 páginas cada um para que finalmente eu entenda algo sobre Processo Penal depois de 4 anos de estudo, bem como a Lei da Procuradoria com mais de cem artigos, ainda acordar cedo e bater perna no centro com sol a pino sem protetor solar - de manhã eu sou anencéfala -, daí correr para o estágio para não chegar atrasada, só pra dizer aos pobres jurisdicionados "desculpe, estamos em greve", fazer palavras cruzadas do jornal com os grevistas e discutir sobre o cárcere privado das meninas em São Paulo. Ok, glamour, go to hell. Eu preciso mesmo de montanhas de tarefas para sentir algum tipo de existência, algum tipo de utilidade. Ou mesmo para fugir de sentimentos emos, regados a filosofia barata de horas improdutivas.